VIVA O PRESENTE E CONFÍE EM SI MESMO

Jorge Bicho · 09.10.2017
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“ a minha vida esteve cheia de desgraças, muitas das quais jamais sucederam”
Descartes

• Desconfiamos das nossas capacidades ou duvidamos do nosso sucesso?
• Boicotamo-nos a nós mesmos, desmerecemos e colocamos as nossas expetativas demasiado baixas para que fiquemos onde estamos?
• Colocamos traves nas rodas, e não nos movemos porque temos medo?
• Como podemos sair destes comportamentos?

Usamos frases como "Eu não acho que meu nível de inglês seja suficiente", ou "Não tenho muita experiência nalgumas áreas financeiras" e outras em que nos desvalorizamos claramente, podem levar-nos a perguntar o que queremos realmente ou não, e qual a mensagem que passamos aos nossos interlocutores.
O processo que ocorre nesta operação de boicote é tão simples como a contradição entre o medo de certas coisas e o desejo de as possuir. Normalmente, é um medo de mudança, em direção a algo que parece melhor, mas, sendo desconhecido, precisa de mais energia porque envolve tomar decisões e também ser responsável por elas. Então, tentamos frustrar este caminho possível para o sucesso. Todos sofremos com esta “síndrome” e só temos que ter cuidado para não nos “apanhar”, mas nalgumas pessoas torna-se parte de seu comportamento habitual, manifestando-se como um padrão.

Richard Friedman, professor de psiquiatria no Weill Cornell Medical College, diz que "de toda a psicologia humana, o comportamento autodestrutivo é um dos mais misteriosos e difíceis de mudar". Certamente podemos reconhecer frases ao nosso redor como "tenho mesmo falta de sorte " ou "Porque é que estas coisas só acontecem comigo".

Existem outros casos em que o boicote é gerado a partir da fantasia. Existe uma clássica distinção de Coaching que lida com a diferença entre Sonho e Visão. Embora os sonhos sejam necessários, como expandimos as nossas expectativas de estar melhor ou viver em boas condições, se não conseguirmos uma visão, neste caso é muito provável que fique nisso, uma fantasia pura.
Converter um sonho numa visão, significa colocar-se em ação para conseguir o que nos propusemos. “sonhar pode ser muito prazeroso, mas não tem implícito colocar em marcha as ações necessárias para alcançar o que sonhamos. Sonhar não exige compromisso”. Sonhamos e ao mesmo tempo damos um montão de explicações que nos servem para justificarmos e não movermos um dedo para alcançar aquilo com que sonhamos. E como podemos vencer este impulso de não nos esforçarmos mais e colocamos traves nas rodas para não alcançar o que desejamos? Tirando questões mais da intervenção clínica, estes mecanismos estão dentro de nós e por isso devemos treinar-nos para os podermos perceber quando acontecem utilizando ferramentas que nos ajudem, como por exemplo:

• Trabalhar a autoestima para diminuir as exigências. Em muitas situações tendemos a desvalorizar-nos porque nos propomos a objetivos e metas tão altas que quase podemos imaginar a dificuldade de as cumprirmos. A verdade é que a guerra contra o ego é impossível de ganhar, e haverá sempre razões ou juízos para o justificar, e por isso devemos aprender a negociar. Se o nosso ego nos diz “não és capaz”, temos de o aceitar, mas ressaltando o facto de que seremos capazes de realizar muitas outras coisas. Porque uma das melhores formas de nos boicotarmos é tentar tarefas impossíveis.

• Colocarmo-nos noutros sapatos: é importante desenvolvermos outras visões para olhar o mundo, sair do nosso espaço e questionarmos o que quisermos. É muito difícil que tudo seja mau em todas as situações da vida. O que pode suceder é que alguns olham a sua existência a partir da negatividade, veem o copo meio vazio e desta forma amplificam as expetativas que não se cumprem e a realidade parece catastrófica e miserável. É bom que olhemos para a nossa lista de “culpas” desdramatiza-las, recuperando a autoconfiança que precisamos para conseguir viver com as nossas emoções. A outra opção é vivermos no reino da ansiedade, da ira, da agressividade e da culpa. Também na nossa linguagem podemos dar conta de que os “sempre, nunca, tudo ou nada” nos comprime, e por isso vale a pena substituir o determinismo do “sou” por “estou sendo” ou “estou”.


Temos de ter em conta que o movimento demonstra-se andando. Acionemos a vida sem as velhas desculpas ou juízos negativos sobre nós mesmos explorando outros caminhos, outros olhares, realizando novas ações para alcançar os nossos objetivos. Só arriscando se alcança o êxito. Quem se mantém no mundo das certezas, não chega onde o coração quer ir. A incerteza esta sempre no início do caminho e as dúvidas vão depois sendo dissipadas. Se se boicota não oferece a si mesmo a oportunidade de viver.

Viva o presente e confie em si mesmo.




Adaptado de um texto de Luis Llorente
CENTRO DE ESTUDIOS DEL COACHING